Um ano após a catástrofe climática que impactou 2,4 milhões de pessoas no RS, o Centro de Solidariedade, Apoio Mútuo e Meio Ambiente (Centro SAMA), em parceria com a Fundação Banco do Brasil, inicia o projeto Reconstrução Solidária.
O projeto tem como objetivo auxiliar cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis que foram afetadas pela tragédia. Localizadas em comunidades periféricas, muitos trabalhadores das entidades perderam o local de moradia e de trabalho durante a enchente.
Com investimento de mais de 6 milhões de reais ao longo de 1 ano e meio, o Reconstrução Solidária trabalhará na reconstrução e melhoria da estrutura física, produtiva e logística de 16 empreendimentos de economia solidária em três municípios da Região Metropolitana.
Além das reformas estruturais, o projeto inclui a aquisição de veículos, máquinas e equipamentos, bem como o fornecimento de assessoria técnica para obtenção de licenças ambientais. O projeto também oferece serviços de apoio e gestão, em parceria com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, visando fortalecer a articulação, comunicação e formação socioambiental dos participantes.
“Dentre as participantes, há cooperativas que, em 30 anos de existência, nunca tiveram a oportunidade de ter um caminhão para realizar a coleta seletiva por conta própria”, afirma Cristiano Benites, presidente do Centro SAMA. “Esse projeto transforma a realidade dos catadores e de suas comunidades, unindo o território em defesa da reciclagem popular.”
Serão 477 catadores diretamente impactados pelo projeto, dentre eles, 67% mulheres catadoras, que são maioria nas associações e cooperativas a nível local e nacional. “Esse apoio chegou num momento que precisávamos muito manter os cooperados motivados. Nossa renda está muito baixa, tem meses que não chega a R$800”, afirma Núbia Vargas, presidente do Centro de Educação Ambiental e Reciclagem Sepé Tiaraju, que é a segunda geração de sua família trabalhando na reciclagem. “Minha mãe trabalha na cooperativa comigo, meus filhos dependem dessa renda, e as famílias de todos aqui também. Reconstruir não vai ser o suficiente, a gente precisa melhorar nossa condição de vida.”
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